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Poesias

Amigo

amigo
Amigo:
quando estiver num momento ofendido,
faça sua queixa
ao meu ouvido,
que eu o acalento.
Se o fustiga o dissabor
de qualquer vento inquieto,
deixe que eu lhe seja o objeto
a anteparar o frio.
e se o vazio da tristeza lhe assaltar o peito,
traga-me a dor
que arranjo um jeito
de alisar-lhe a aspereza.
Mas, por favor, venha correndo
a cada vez que se pressentir
sofrendo,
para que eu possa amparar
sua inquietação.
Estendo-lhe também a mão
quando sentir que titubeia
no caminho,
pois tenho a fórmula encantada
de carinho,
que o porá de novo
em pé, na estrada.
Se, porventura,
tiver um momento de saudade
de uma imagem já gasta e esmaecia,
deixe que eu seja aquela amiga
escolhida,
pra lhe ouvir a estória.
mas se, ao contrário,
estiver vivendo um sabor de glória,
fique ao meu lado
para que eu possa aplaudir,
embevecida,
seu momento de ascensão.
Quero ser chamada em toda situação
para ser ouvinte,
para ser usada.
E em troca dessa devoção
até desbalançada e descabida,
não quero nada,
a não ser sua aura tão dourada
a me roçar a vida.

 

Flora Figueiredo – (Livro – Calçada de Verão)

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